Netuno e suas faunas. Guia de poeta para um atlas oceânico
Nicolás García Sáez orquestra a grande operação: seu Grand Tour vai direto para o mar mitológico governado por Netuno e onde pululam suas criaturas. E consegue criar a ilusão desde uma serra cordobesa* e projetá-la, ora do quarto de uma adolescente com o toca-discos no último volume evocando Syd Barrett, ora no amor por um cão ou um gato que adquirem, assim, sua dimensão épica. São as palavras a fauna de seus bentos abissais, a milhares de metros ocultas, incandescentes, reverberantes, inesperadas. Nomeamos e algo acontece, sempre. Lampedusa diz “sereia” em um relato e seu velho senador se lança às águas; basta que os boteiros entrem na Gruta Azul e cantem em sua antiga língua para que o tempo provoque o pranto dos turistas, e ainda dois ilhotes se reconhecem como o território das vozes que encantaram Odisseu. García Sáez nomeia os passageiros de sua Arca salvadora e Bolívia, Tirreno, Adriático, Termópilas, Veneza e muito mais. É preciso se atrever a continuar invocando Beleza, e nomear Vermelho, vermelho veludo no céu, crepúsculo que podemos confundir no último momento com um magnífico amanhecer inicial*
*Amalia Sato / Traducción al portugués: Paola Arbiser / Editorial Oliverio