Um prefácio é que nem uma porta de entrada. Eu, que sou desenhista e não escritora, intuo o meu como um portal imaginário para a paisagem onírica de um autêntico poeta na seriedade da alma de um menino. Netuno e as faunas me encheu de imagens, de evocações, e também de destinos novos. Nicolás García Sáez tem uma intimidade genuína com as palavras e joga com elas muito bem, dando a elas a liberdade de se ajeitarem com uma rítmica impecável. Em seu poemário, o mar –criador primigênio– tem seu lugar de privilégio e um timão que guia a rota com destreza. Há um devir sem deriva por melancolias, fúrias, picardias ou reinvenções mitológicas
para novas épicas. Para Nicolás, o amarelo é um amor golfinho; e o vermelho, a trágica brutalidade mundana. Há anjos da guarda, outono, uma rosa púrpura do bairro e uma tradução ao português que achei muito certeira. Mas esses são apenas tesouros que eu achei. Há muitos, e cada qual ouvirá retumbar o próprio em sua caixa de ressonância. Vale a pena ler e ter o livro; a boa poesia é sempre um ato de amor e eis um belo exemplo.*
*María Verónica Ramírez / Traducción al portugués: Paola Arbiser / Editorial Oliverio