Acerca de ¨Netuno e as Faunas¨(8)

Não sei julgar poesia. Sou, digamos assim, escritora de televisão, e nessa linguagem que me é mais conhecida, posso fazer minha resenha: comoveram-me muito “Um Gato” e “Uma Tartaruga”, pequenas homenagens à ternura. O “Poema que Pode Ter Sonhado um Ex-presidente” com o aparecimento da Bolívia pedindo sua saída ao mar. A presença de alguns dignitários derrotados, uns na Grécia, outros na América Latina. A história trágica de amor que pode se intuir por trás dos golfinhos amarelos. Melancolia, um
quê de humor aqui e acolá. Adoro –como nas séries de suspense– quando uma linha que não esperava, entocada atrás de uma porta, aparece de repente e me surpreende. E, como não sei julgar poesia, suponho que a boa poesia é aquela que convoca imagens, atmosferas. O aroma de uma cor ou o sabor da brisa. E neste percurso, encontro poemas com gosto de liquens, de rochas, de sal, que evocam águas cor de musgo, o vento frio, grasnidos de aves que me são desconhecidas, que talvez nunca venha a escutar. O
mar argentino, então… O mesmo me aconteceu com Mutis, seu Maqroll o Gajeiro, aquela sensação de viajarmos a mares remotos. Viajar, a coisa mais sublime que a literatura nos fornece. Hoje me permiti viajar com os poemas de Nicolás García Sáez.

Leticia López Margalli / Traducción al portugués: Paola Arbiser / Editorial Oliverio